Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde, salvar vidas ou como o conhecimento aplicado é poder

Cristina Vaz de Almeida, PhD . Presidente da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS)
Cristina Vaz de Almeida, PhD . Presidente da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS)
O ano de 2025 foi verdadeiramente marcante para a Sociedade Portuguesa de Literacia em Saude, consolidando a literacia em saúde como estratégia estruturante para a cidadania ativa, a equidade e a humanização dos cuidados. Com uma visão sistémica, a SPLS assumiu a literacia em saúde não apenas como competência individual, mas como um pilar multidomínio, capaz de articular intervenções em saúde, educação, ciência comportamental e políticas públicas.

Esta abordagem integrou dimensões sociais, culturais e comunitárias, promovendo competências estruturantes que contribuem para uma sociedade mais informada, autónoma e participativa. Ao longo do ano, reforçámos parcerias com associações de doentes, associações de estudantes da área da saúde e ordens profissionais, criando redes colaborativas que aproximam conhecimento e prática.

Estas alianças permitiram desenvolver projetos inovadores e garantir que a literacia em saúde chega a públicos diversos, com impacto real na prevenção e na tomada de decisão informada.

As intervenções comunitárias foram outro pilar essencial. Realizámos ações em escolas sobre suporte básico de vida, cancro e VIH, promovendo competências vitais desde cedo. Criámos programas adaptados às diferentes faixas etárias: “Ritmo” para jovens, com foco em hábitos saudáveis e prevenção da alimentação, saude mental, saúde física.

O “Ativar” para os mais velhos, incentivando a adesão terapêutica, a vacinação da população mais velha, o movimento e autonomia; e o programa “Acolher” vocacionado – para populações frágeis, para migrantes e refugiados garantindo acesso equitativo à informação, prevenção de doenças, cuidados e o lançamentos das consultas coletivas.

A dimensão cultural esteve presente com a “Ronda dos Contos”, que usou narrativas para aproximar saúde e comunidade, especialmente crianças e mulheres.

No campo da formação e capacitação, destacam-se o Programa Jovens Líderes e a iniciativa “Opções dos Jovens para a Saúde”, que deram voz às novas gerações na construção de políticas e práticas mais inclusivas.

Paralelamente, escrevemos e disponibilizámos livros, e-books digitais e um repositório de guias de apoio à literacia em saúde, recursos que consolidam conhecimento e orientam profissionais e cidadãos. As publicações da SPLS reforçaram a nossa posição como referência nacional e internacional.

Os eventos destinados a profissionais e ao público em geral abordaram temas críticos como medicina de precisão, cancro e doenças cardiovasculares, criando espaços de debate e atualização científica.

Realizámos reuniões nacionais e internacionais, com destaque para a participação da presidente da SPLS em Bruxelas e no Conselho da Europa, onde levámos a voz da literacia em saúde a instâncias decisivas trabalhando as questões da inclusão e dos direitos humanos.

Estas presenças reforçam o compromisso da SPLS com políticas europeias e globais.

Por fim, sublinhamos as parcerias estratégicas com a Active Citizenship Network e com a WHIS via Social Prescribing, que ampliaram a nossa capacidade de intervenção e inovação. Estas colaborações posicionam a SPLS como agente ativo na promoção da saúde centrada na pessoa, integrando dimensões sociais, culturais e comunitárias.

2025 foi um ano de impacto, diversidade e compromisso. Continuaremos a trabalhar para que 2026 seja ainda mais transformador, com projetos que unem ciência, cidadania e humanização